Por que o voo mais longo do mundo não é feito em linha reta?

por Lucas
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O atual detentor do recorde para o voo mais longo na aviação comercial é a rota que conecta Nova York a Cingapura. Este voo, operado pela Singapore Airlines, tem aproximadamente 18 horas de duração. A rota tomada pela aeronave pode parecer pouco convencional à primeira vista, pois se dirige quase em direção ao polo norte, em vez de seguir uma linha direta para Cingapura. Na realidade, esta rota é mais eficiente, simplesmente porque a Terra é um globo, contrariando as suposições iniciais de que uma linha reta seria mais curta.

A razão subjacente para a escolha desta rota está relacionada à forma arredondada da Terra, em contraste com a representação plana e bidimensional nos mapas. Essa diferença de perspectiva impacta significativamente na percepção e realidade das distâncias. Na aviação, particularmente em voos que cobrem vastas extensões como o Oceano Pacífico, rotas curvas são frequentemente mais eficientes do que linhas retas, como percebidas em um mapa. O equívoco de que voos sobre o Pacífico sempre seguem uma linha reta pode ser atribuído à visão bidimensional do mapa, enquanto a realidade é moldada pela forma tridimensional e arredondada da Terra.

O principal motivo para a escolha dessas rotas curvas não é apenas por opções de pouso de emergência, embora a segurança seja uma preocupação. A principal razão é a conservação de tempo e recursos. Ao voar dos Estados Unidos para a Ásia, os aviões frequentemente seguem uma trajetória curva, que cobre menos quilômetros do que a suposta linha reta em um mapa. Isso se torna aparente ao comparar rotas em um globo versus um mapa plano. No equador, as linhas em um mapa e um globo se alinham, mas isso não ocorre em outras latitudes.

As rotas de voo são estrategicamente planejadas antes da partida, focando na trajetória mais direta e eficiente. No entanto, esses caminhos podem ser alterados em voo em resposta a uma variedade de condições em mudança, como tempo, padrões de vento e correntes de jato.

A curvatura da Terra é uma consideração chave no planejamento de rotas, mas as correntes de jato também desempenham um papel crucial na determinação dos caminhos de voo. A presença de correntes de jato (fortes correntes de vento em altitudes elevadas), particularmente aquelas com ventos de cauda excedendo 300 quilômetros por hora, pode acelerar significativamente a jornada de uma aeronave, reduzindo tanto o tempo de viagem quanto o consumo de combustível. Por outro lado, encontrar uma corrente de jato com um vento de proa de 300 quilômetros por hora pode ser prejudicial à eficiência do voo. Nesses casos, os planejadores de voo frequentemente buscam rotas alternativas para contornar essas condições desafiadoras.

A Singapore Airlines emprega o Airbus A350-900 ULR (Ultra Longo Alcance) para esses voos longos. Esta aeronave faz parte da família Airbus de aviões bimotores de longo alcance. Eles são projetados para serem sucessores da série 777 da Boeing e têm uma eficiência de combustível de 20% a 30% maior. A introdução do A350-900 ULR na frota da Singapore Airlines foi parte de uma jogada estratégica, especialmente após a companhia aérea ter que cancelar sua rota direta entre Changi, Cingapura, e Newark, Nova Jersey, em 2013. O anteriormente usado A340-500 consumia combustível demais, tornando a rota economicamente inviável.

A versão ULR do A350-900 adquirida pela Singapore Airlines é conhecida por ter o maior alcance de qualquer aeronave atualmente em operação, em parte devido ao seu sistema de combustível modificado. Ela tem a capacidade de voar por 20 horas sem a necessidade de reabastecimento. Especialistas em aviação veem isso como um avanço significativo para viagens de longo alcance no futuro, atendendo tanto às necessidades de negócios quanto de lazer.

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