Por que os cães perseguem motos e carros?

por Lucas
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A observação da tendência de um cão em perseguir carros ou motos pode ser perplexa e alarmante para os donos de animais. Esse comportamento, muitas vezes visto como problemático e perigoso, está profundamente enraizado nos instintos naturais do cão.

Samantha Mountain, experiente adestradora de cães na Monkey Business Dog Training em Montreal, Canadá, esclarece esse comportamento inato. Os cães possuem um “instinto predatório” que inclui várias etapas: observar, orientar, perseguir, morder e atacar. Esse instinto é desencadeado pelo movimento, especialmente movimentos rápidos como os de carros ou motos. Embora a perseguição possa terminar ali para muitos cães, sem levar a um ataque, o perigo inerente desse comportamento exige que seja abordado efetivamente.

Algumas raças são mais propensas a esse comportamento devido à sua composição genética. Raças como terriers e border collies, historicamente criadas para funções específicas como caça e pastoreio, exibem um instinto de perseguição mais forte.

Estratégias para Conter a Perseguição

Abordar o problema de cães perseguindo carros envolve a compreensão do comportamento canino, fornecimento de exercícios adequados e técnicas de treinamento eficazes. Samantha Mountain oferece conselhos práticos para donos de animais que enfrentam esse problema.

  • Garantir Exercícios Suficientes: Antes de iniciar qualquer regime de treinamento, deve-se avaliar e satisfazer as necessidades de exercício do cão. Cães com necessidades de exercício não atendidas podem ter energia excedente, que pode se manifestar como tendência a perseguir coisas em movimento. O exercício regular não só ajuda a gastar essa energia, mas também ajuda na manutenção da saúde e bem-estar geral do cão.
  • Exposição Gradual e Ambiente Controlado: O treinamento deve começar em ambientes como a casa ou o quintal, onde as distrações são mínimas. Este ambiente controlado permite um treinamento focado sem o risco imediato representado pelos carros. Gradualmente, o cão pode ser exposto a objetos em movimento, pessoas ou carros em áreas menos movimentadas. Esta abordagem passo a passo ajuda a acostumar o cão a gatilhos potenciais de maneira segura e controlada.
  • Controle da Coleira e Reforço Positivo: Manter o cão na coleira durante os passeios é importante para manter o controle do animal. Técnicas de reforço positivo, incluindo elogios e petiscos, devem ser a base do processo de treinamento. A punição pode suprimir temporariamente o comportamento, mas pode levar a problemas mais profundos a longo prazo, incluindo medo e ansiedade.
  • Treinamento de Controle de Impulso: O núcleo do treinamento deve se concentrar no controle de impulso. O treinamento de chamada, que envolve o uso de um comando ou um clicker, é eficaz para redirecionar a atenção do cão do gatilho (por exemplo, um carro em movimento) de volta ao tratador. Este treinamento reforça a ideia de que responder ao comando do tratador é mais gratificante do que perseguir um carro.
  • Comandos Verbais: Comandos verbais como “pare” e “olhe para mim” são úteis no treinamento. “Pare” instrui o cão a se desengajar da distração atual e retornar ao tratador, enquanto “olhe para mim” direciona imediatamente a atenção do cão para o tratador. Esses comandos são ferramentas essenciais no gerenciamento do foco do cão e na redução da probabilidade de uma perseguição.
  • Procurar Ajuda Profissional: Se um cão não responder bem ao treinamento em casa, é aconselhável consultar um adestrador profissional ou um comportamentalista. A orientação profissional pode oferecer estratégias personalizadas e suporte para desafios específicos, garantindo um processo de treinamento mais seguro e eficaz.

Combinando esses métodos, os donos de animais podem reduzir significativamente o risco e o estresse associados à tendência de um cão perseguir carros ou motos. Compreender os instintos naturais do cão, garantir exercícios regulares e empregar métodos de treinamento consistentes e positivos são a chave para gerenciar com sucesso esse comportamento. Com paciência, consistência e orientação profissional quando necessário, é possível modificar esse comportamento instintivo, garantindo a segurança do cão e de seu entorno.

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