Tijolos da Mesopotâmia revelam anomalia no campo magnético da Terra há 3.000 anos

por Lucas
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Pesquisas recentes revelaram insights significativos sobre as flutuações passadas do campo magnético da Terra, particularmente um período de força incomum há mais de 3.000 anos. Essa descoberta foi possível através da análise de tijolos mesopotâmicos inscritos com os nomes de reis antigos. Esses tijolos, outrora usados para promover governantes quando queimados, agora servem a um novo propósito ao revelar variações geomagnéticas históricas.

O Campo Magnético da Terra: Uma Força Flutuante

Tijolos da Mesopotâmia revelam anomalia no campo magnético da Terra há 3.000 anos

O campo magnético da Terra é conhecido por suas inconsistências temporais e espaciais. Ele atua como um escudo contra a radiação espacial e desempenha um papel crucial na navegação para humanos e animais migratórios. Compreender seus comportamentos peculiares e anomalias é, portanto, de grande interesse científico. Geralmente, têm sido observados pontos fracos temporários no campo magnético, juntamente com áreas de força inexplicada. Identificar quando essas anomalias começaram, sua duração e sua intensidade é crítico para um entendimento abrangente da história geomagnética da Terra.

Uma das anomalias mais notáveis é a Anomalia Geomagnética da Idade do Ferro Levantina, que ocorreu há cerca de 3.000 anos. Esse período é caracterizado por um campo magnético excepcionalmente forte no Oriente Médio. A importância dessa anomalia reside em seu potencial de fornecer insights sobre o comportamento magnético passado da Terra, um componente chave para entender a tectônica de placas e a história geológica do planeta.

Tijolos da Mesopotâmia revelam anomalia no campo magnético da Terra há 3.000 anos

Este tijolo está marcado como sendo do reinado de Nabucodonosor II (cerca de 604 a 562 AEC). Grãos magnetizados raspados revelam a força do campo magnético.

Metodologia: A História Através dos Tijolos

O avanço no estudo desta anomalia geomagnética veio de uma fonte inesperada: tijolos mesopotâmicos antigos. Esses tijolos, encontrados na região, são únicos pois carregam os nomes dos reis durante cujos reinados foram feitos. Essa característica fornece um carimbo de tempo histórico preciso, inestimável para fins de datação. Tipicamente, pesquisadores dependem de métodos como datação por radiocarbono para cronologia histórica. No entanto, a falta de material orgânico em tijolos e cerâmicas limita essa abordagem.

O professor Mark Altaweel, da University College London, juntamente com sua equipe, analisou 32 tijolos de argila mesopotâmicos. Esses tijolos continham grãos de óxido de ferro, que retinham a direção e a força do campo magnético no momento de sua queima. Examinando as propriedades magnéticas desses grãos, os pesquisadores puderam deduzir a intensidade e as flutuações do campo magnético da Terra durante aquela era.

O processo envolveu a retirada de pequenos fragmentos dos tijolos, pesando aproximadamente 2 gramas, e depois analisando-os com um magnetômetro. Essa técnica permitiu à equipe medir com precisão o magnetismo dos grãos. Os resultados foram impressionantes, indicando que o campo magnético era quase duas vezes mais forte na área em comparação com mil anos antes.

Significado Histórico e Geomagnético

Entre os governantes cujos reinados foram estudados, Nabucodonosor II, conhecido por seus grandes projetos de construção como os Jardins Suspensos da Babilônia, destacou-se. Tijolos de sua era mostraram variações significativas na força do campo magnético, indicando flutuações rápidas e substanciais dentro de um curto período de 42 anos. Essa descoberta corrobora a teoria de que o campo geomagnético pode sofrer mudanças rápidas e dramáticas.

A pesquisa tem implicações mais amplas além das ciências da Terra. Historiadores há muito debatem a cronologia exata dos reinados desses 12 reis. Os dados magnéticos dos tijolos apoiam uma das cronologias propostas, conhecida como Baixa Cronologia. Essa correlação entre achados arqueológicos e registros históricos fornece uma estrutura mais precisa para entender a história da Mesopotâmia.

Além disso, este estudo contribui para nossa compreensão de anomalias geomagnéticas em geral. Anomalias semelhantes, como a Anomalia do Atlântico Sul (SAA), têm sido observadas nos tempos modernos. Os métodos usados nesta pesquisa podem potencialmente ser aplicados para estudar tais fenômenos geomagnéticos contemporâneos, oferecendo insights sobre suas origens e evolução.

As descobertas deste estudo foram publicadas nos Proceedings of the National Academy of Sciences.

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